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Ano 2009 - Nº 156 - Quinzenal - 17 de Março de 2009

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Fernando Namora evocado em sessão conjunta da OM e da APE - “Um homem de ética, senhor de uma generosidade absoluta”

O escritor e médico Fernando Namora foi homenageado nos passados dias 31 de Janeiro e 1 de Fevereiro numa cerimónia conjunta organizada pelo Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos e pela Associação Portuguesa de Escritores (APE). Colegas, amigos e admiradores marcaram presença na data que assinalou os 20 anos sobre a sua morte.

Fernando Namora nasceu em 15 de Abril de 1919, em Condeixa-a-Nova, e faleceu 70 anos depois, no dia 31 de Janeiro de 1989, em Lisboa. Para assinalar a sua morte, os organizadores relembraram de forma substantiva o escritor e o médico que, segundo José Manuel Mendes, presidente da APE, “foi um homem de ética, senhor de uma generosidade absoluta”.
Os anfitriões da sessão foram Paula Morão, directora-geral do Livro e das Bibliotecas, que presidiu à mesa; José Manuel Mendes (presidente da Associação Portuguesa de Escritores), Paulo Coelho (membro do Conselho Regional do Sul da OM), Jacinto Simões, Eugénio Lisboa, Joana Ruas e Luís Machado. Isabel Caixeiro, presidente do Conselho Regional do Sul da OM, proferiu as palavras de abertura da cerimónia.
Todos recordaram Fernando Namora através da leitura de poemas ou excertos de prosa, previamente escolhidos pela APE, e sob o olhar atento e mesmo emocionado de familiares, como as filhas, os netos e bisnetos, bem como de amigos igualmente afectos ao autor, como Manuel Freitas e Costa.
Obras como «Retalhos da Vida de um Médico» ou «Domingo à Tarde», cujo filme foi exibido no Cinema S. Jorge, em Lisboa, no dia 1 de Fevereiro (por gentileza da Cinemateca Portuguesa e da Câmara Municipal de Lisboa) – contando igualmente com a presença de admiradores do escritor – foram alguns dos trabalhos relembrados. A estes, juntou-se a leitura de mensagens emotivas de outros convidados que não puderam estar presentes, nomeadamente Urbano Tavares Rodrigues, Baptista-Bastos e Mário Soares, amigo próximo do homenageado.
Durante a sua intervenção, o presidente da APE, um dos maiores entusiastas da obra de Fernando Namora, referiu-se ao autor como sendo “um dos escritores maiores do século XX”, ao mesmo tempo que enalteceu as suas qualidades de médico e cidadão, sendo conhecido como “médico rural” – segundo o seu colega e amigo Jacinto Simões. José Manuel Mendes sublinhou, ainda, o facto de Namora ter recusado “a cartilha dos utilitarismos”, tendo “um sentido de dádiva incompatível com o narcisismo”. Rematou, dizendo: “A sua memória perdurará para sempre. Generosidade no absoluto, voltará porque, sobre ser actual, permanece no tempo como obra maior da literatura portuguesa”. Não esquecer, contudo, que Fernando Namora é considerado por muitos como o expoente máximo do neo-realismo português; aspecto focado por Paula Morão, cuja intervenção incidiu na descodificação e caracterização da técnica e escrita do autor.

Outros escritores médicos

Pode dizer-se que Fernando Namora estreou o “desfile” de escritores que, em sentido figurado, os dirigentes da OM querem promover, em parceria com a APE. Explica Paulo Coelho: “Estamos a preparar um opúsculo sobre a sessão de homenagem a Fernando Namora”, que incluirá não só “as apresentações e leituras das suas obras, como terá, ainda, as intervenções de José Manuel Mendes, Paulo Fidalgo e António Macedo, no final da exibição do filme Domingo à Tarde”.
Segundo este dirigente do Conselho Regional do Sul da OM, de futuro, serão igualmente relembrados escritores como Ribeiro Sanches, Júlio Dinis e Miguel Torga, entre outros. Porém, o tributo a Fernando Namora só estará concluído a 15 de Abril, quando culmina com uma exposição de pinturas e desenhos dos netos do escritor e recital de textos com a voz de José Manuel Mendes. Durante o Congresso Nacional de Medicina, que decorreu entre 19 e 21 de Fevereiro, a OM manteve uma instalação alusiva a Fernando Namora, onde foram exibidas a máquina de escrever do escritor e um

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