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Isabel Caixeiro defende modelo que sirva o público e o privado
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Carreiras Médicas são o maior desafio
Isabel Caixeiro quer recomeçar a trabalhar rapidamente sem os condicionalismos do período de campanha eleitoral e aponta como “o desafio com maior reflexo no futuro da Medicina no nosso país” a aposta na “mobilização dos médicos para o desenvolvimento de um modelo de Carreiras Médicas que seja aplicável ao sector público e ao sector privado”.
Medi.com – Qual a proposta que reputa de mais importante na sua candidatura a Presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos?
Isabel Caixeiro – Nós apresentamos no nosso programa um vasto conjunto de compromissos que consideramos muito importantes.
Apesar de a escolha não ser fácil, considero que a mobilização dos médicos para o desenvolvimento de um modelo de Carreiras Médicas que seja aplicável ao sector público e ao sector privado é talvez o desafio com maior reflexo no futuro da Medicina no nosso país.
Um modelo centrado na OM e construído em conjunto com os Sindicatos, de modo a garantir a qualidade técnica e humana do nosso exercício e o reconhecimento do desenvolvimento profissional contínuo dos médicos.
A concretização desta proposta permitirá lutar contra a precarização do trabalho médico que se vem manifestando através do crescendo de contratos individuais de trabalho e garantirá aos jovens médicos a manutenção de uma formação de qualidade e a evolução e progressão na carreira.
Queremos cumprir todos os objectivos do nosso programa, mas penso que a mais importante proposta da nossa lista é criar condições para que a acção, nos próximos três anos, seja muito abrangente do ponto de vista da participação de médicos de várias sensibilidades na tomada das decisões. Foi isso que procurámos ao construir a nossa equipa.
Medi.com – Há alguma medida que tenha decidido tomar de imediato se for eleita?
IC – Voltar a dedicar-me inteiramente às questões da Ordem – é isso que desejo fazer de imediato após as eleições –, sem ter que estar preocupada com as questões de ordem eleitoral.
Neste momento todos procuramos fazer valer os nossos pontos de vista, visitamos os colegas, falamos com eles e trocamos impressões sobre o melhor para a Ordem… é o normal neste período e faz parte da vivência democrática. Queremos que os colegas percebam a necessidade de participar nas eleições. Queremos ser eleitos para continuar o trabalho que já começámos e isso é absolutamente fundamental, mas tenho uma enorme vontade de voltar ao ritmo normal de trabalho. Será essa a minha primeira medida!
Medi.com – Que avaliação faz da política de saúde, no que aos médicos diz respeito, nos três anos mais recentes?
IC – O nosso programa responde a isso, logo na abertura. Todos temos consciência das ameaças que o SNS e o exercício da Medicina têm sofrido, com todas as medidas avulsas que foram tomadas ao longo destes últimos anos. Desregularam-se os vínculos contratuais e desarticulou-se a hierarquia técnica, colocando em risco a formação e a motivação dos médicos. A mudança dos modelos de gestão hospitalar para SA e depois EPE, com o único objectivo de atingir resultados orçamentais, penalizou ainda mais os doentes e descentrou a finalidade do nosso exercício. As políticas de desinvestimento no SNS, a preocupação com avaliações quantitativas do número de consultas, exames ou tempos de espera tornaram-se mais importantes do que tratar doentes.
Recentemente, a prepotência e a arrogância do ministro ultrapassou o imaginável: querer obrigar os médicos a mudar o Código Deontológico, ou a provar por meios electrónicos que estão a trabalhar, demonstra a necessidade de desviar as atenções dos reais problemas da saúde do país. Compete aos médicos unirem-se para enfrentar juntos estas ameaças, baterem-se por aquilo que acham que é o melhor para a sua prática médica e, consequentemente, pelo que é melhor para os seus doentes.
Medi.com – Desse ponto de vista, qual foi para si a medida mais penalizadora?
IC – A forma ligeira e pouco responsável como o poder político tem desarticulado o SNS, encerrando serviços sem criar alternativas para as populações, sem ouvir as recomendações técnicas de quem sabe.Também todos os mecanismos que afastaram os médicos da essência da política de saúde, subalternizando-os no processo de decisão e forçando a sua transformação em peças de organizações e cada vez mais burocratizados, são responsáveis por uma desmotivação crescente da classe. Só à custa do muito esforço dos médicos se tem mantido a qualidade da Medicina de que ainda nos orgulhamos.
Medi.com – Em face disso acha que os dirigentes da Ordem, grupo de que também faz parte, responderam bem a essas ameaças?
IC – Os médicos vivem hoje num cenário muito complexo, social e político, o que exige de nós, dirigentes da Ordem, uma atitude firme mas sensata. Isto é, sendo verdade que não há lugar para fraquejar no momento em que é preciso defender os princípios que nos são caros, também é verdade que é necessário encontrar, com inteligência, os melhores meios para fazer vingar a nossa razão. Não vale a pena fazer grande alarido sobre determinado assunto quando é possível resolvê-lo de modo menos visível mas mais eficaz. Claro que em certas circunstâncias é preciso que a resposta seja muito audível pelos médicos e pela sociedade. Exemplo recente foi a posição da Ordem em relação à tentativa peregrina de o Ministro da Saúde se imiscuir nas decisões sobre o nosso Código Deontológico. Mas posso dar outro exemplo em que foi absolutamente necessário usar da sensatez para que os bons resultados fossem possíveis, como foi o caso da negociação do novo Regulamento do Internato Médico. Foi uma vitória dos médicos e obtida estrategicamente.
Os dirigentes da OM têm que estar preparados para garantir esta estabilidade de atitude e de independência porque, muitas vezes, um comportamento coerente e uma atitude firme são mais eficazes. Foi isso que fizemos durante estes anos que levamos como dirigentes. Será assim que vamos continuar, porque aos médicos interessa a eficiência, não a confusão ou a estridência mediática.
Medi.com – Que avaliação faz do seu mandato?
IC – O nosso mandato nestes três anos foi globalmente positivo. Não o reconhecer revela desconhecimento e é manifestamente injusto. Avançámos com o projecto da Casa do Médico do Sul, que é uma das mais ambiciosas iniciativas da Ordem, e concretizámo-lo num período de tempo recorde, uma vez que dentro de poucos meses estará a obra pronta. Adquirimos novas instalações, enriquecendo assim o património de todos os médicos e dotando os serviços de condições mais funcionais.
Num outro plano, lutámos pela defesa permanente dos valores e dos princípios da profissão médica e garantimos um novo Regulamento do Internato Médico que reconhece legalmente à OM a responsabilidade da formação pós-graduada.
Os médicos têm agora um seguro de responsabilidade civil que não lhes custa um cêntimo e ainda um seguro de acidentes pessoais para os casos de agressão física no local de trabalho.
E não esqueçamos a nossa reforçada presença como dirigentes internacionais, nas presidências da UEMO e do PWG.
Isto significa que não nos limitámos a fazer uma gestão corrente, avançámos muito mais e desenvolvemos novas ideias que estão já a ser discutidas e que avançarão no próximo mandato.
Medi.com – Na área social, depois de ter tomado a iniciativa de avançar com o projecto da Casa do Médico de S. Rafael, qual será agora o próximo passo?
IC – Estamos na fase final da obra de Sines, cujo modelo de Casa do Médico é absolutamente inovador. Agora chega a vez de desenvolver um novo projecto – o de um lar para colegas em situação de grande dependência, que terá também uma componente de apoio domiciliário, na região de Lisboa, ou noutros locais onde se venha a revelar necessário.Estamos também determinados a dar atenção aos colegas que precisam de apoio e acompanhamento, por isso desenvolveremos o Programa de Apoio ao Médico Doente.
Neste mandato, vamos também continuar a dar uma atenção especial aos médicos ou familiares dependentes e em dificuldades por motivos de doença, morte ou incapacidade através do Fundo de Solidariedade.
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