
Raquel Marta, 3.º ano do internato de Pediatria
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Raquel Marta elogia Jornadas
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Intervenção dos internos deve ser mantida
Medi.com – Acha que as Jornadas do Internato Médico são úteis?
Raquel Marta – As Jornadas do Internato Médico são úteis principalmente naquelas especialidades em que o interno não tem contacto, quer no curso quer no ano comum. Nessa especialidades às vezes é muito difícil termos a noção do que é na realidade.
Na minha experiência pessoal, eu já sabia que queria Pediatria, foi a minha primeira opção, sempre foi, mas temos essa cadeira ao longo do curso e portanto eu já sabia o que era.
Outras especialidades, como a Oncologia, Otorrinolaringologia temos um contacto muito frustre, Oftalmologia também, a Ortopedia um bocadinho melhor, mas há muitas outras que não temos, como a Gastrenterologia.
Acho que esta iniciativa é muito importante quando nós escolhemos e antes não havia a participação dos internos e este ano viu-se que isso era muito melhor.
Medi.com – Acha portanto que a participação dos internos a apresentarem a sua experiência deve ser para manter?
RM – Claro, porque se é verdade que o especialista dá uma visão da organização da especialidade, o interno dá a sua experiência pessoal. As dúvidas dos colegas do ano comum são aquelas que nós tivemos quando entrámos e que esclarecemos quando entrámos. E há a troca de experiências. Na minha intervenção, as pessoas revelavam que já conheciam a realidade, mas fizeram-me perguntas sobre a comparação entre os hospitais distritais e centrais e como era o trabalho... às vezes as pessoas não têm opção de escolha, mas quando têm é útil ouvir alguém que tenha experiência.
Medi.com – É possível que um interno decida aqui a sua especialidade?
RM – Eu acho que é possível... não é assim tão verdade que os colegas mais novos tenham já uma decisão tomada e a opinião esclarecida sobre o que quer e, portanto, é possível chegar aqui e ficar mais esclarecido sobre as coisas e conseguir escolher melhor. E por outro lado abrem-se mais portas, porque há especialidades que as pessoas nunca tiveram contacto e nem sempre os serviços estão de portas abertas para podermos ver, embora normalmente sejam abertos a isso. Nesses serviços ficamos com uma ideia global de como funcionam, mas depois aqui esclarecemos muitos aspectos da especialidade propriamente dita.
Medi.com – Na especialidade que escolheu, o que é que a surpreendeu?
RM – A minha ideia já era muito real porque me apercebia durante o meu curso, já aí me envolvia mais quando fazia as cadeiras de Pediatria. Agora é que me surpreende, uma vez que estou a tomar contacto com as subespecialidades e são novidades e há avanços, por exemplo na Neonatologia há muita investigação e cada vez mais as crianças sobrevivem com menos peso e com menos idade gestacional e às vezes parece milagre... mas as expectativas que eu tinha não foram goradas.
Medi.com – A Pediatria é uma especialidade carenciada, acha possível atrair mais jovens médicos para a carreira?
RM – Acho que sempre houve colegas a querer Pediatria, mas o número de vagas que abriam era baixo; agora há colegas que estão a ficar mais velhos e as pessoas já não têm tanta disponibilidade e começou-se a sentir esse problema e começaram a abrir mais vagas. Ainda agora o especialista que interveio sobre isso mostrou um gráfico interessante do aumento gradual do número de entradas na especialidade. Sempre foi uma especialidade concorrida.
Medi.com – Qual foi o assunto mais importante que passou na sua intervenção?
RM – Foi mesmo a minha visão pessoal. Estando eu a fazer o internato de especialidade num hospital distrital, expliquei como era o meu dia-a-dia na Pediatria. Depois foquei que a especialidade está a mudar, dantes tratávamos as doenças e agora prevenimos as doenças. Hoje procuramos diminuir internamentos e aumentar mais as consultas e os hospitais de dia. E trouxe também esses avanços da Neonatologia, dantes as crianças morriam, agora sobrevivem mas têm doenças crónicas e isso exige uma outra preparação.
Medi.com -- Ser pediatra é especial?
Uma pessoa que vai para Pediatria tem que lidar com crianças e isso é puxado em termos de relação, apesar de tudo é diferente ver morrer um adulto ou uma criança, mas é fascinante porque as crianças são muito agradecidas e depois o que apaixona o pediatra é a possibilidade de ver as crianças crescer... é o milagre da vida [falou emocionada].
Medi.com – Que ambição tem como futura pediatra?
RM – Em termos de subespecialidade ainda não me decidi bem, preciso... acho que gostava de saber muito de tudo, o que é a ambição de toda a gente, mas a evolução é cada vez mais as pessoas estarem centralizadas numa determinada área, mas fazer tudo é impossível... e isso assusta-me um pouco, mas é mesmo assim.
Medi.com – Se lhe fizesse uma entrevista daqui a 20 anos, acha que se emocionava na mesma a falar das crianças, como aconteceu há pouco?
RM – Espero bem que sim e isso era muito bom sinal...
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