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Isabel Reina
“Mantenho uma fidelidade precisa ao tema poético”
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Os girassóis foram por assim dizer a sua grande paixão, o que denota desde logo uma certa tendência para o Impressionismo e também para o Pós-Impressionismo. O primeiro destes movimentos revolucionou profundamente a pintura, dando início às tendências da arte do século XX. Mas a pintura da Dr.ª Isabel Reina, Assistente Graduada de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital de Beja, vai mais ao encontro da linha Vangoguiana dando formas e contornos visíveis aos objectos, onde as formas dos seres e das coisas são simplificadas, com efeitos de luz reduzidos e as cores bem definidas.
A obra da Dr.ª Isabel Reina, embora não nos apresente a justaposição de pontos de um Monet, produz qualquer densidade de tonalidade, de acordo com a predominância da cor, o que transmite à sua pintura uma qualidade relevante, especialmente para uma autodidacta para quem “a pintura é uma paixão”
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Medi.com - Percorrendo a sua obra, nota-se uma certa evolução. Pode-se inferir daqui que teve uma formação própria na Área da Pintura ?
Drª Isabel Reina – Iniciei a minha formação em Pintura aprendendo a técnica do Óleo com o pintor e professor de Artes Plásticas, José Santos Silva, na minha adolescência.
Encontrava-me a frequentar a alínea F, como todos os que na altura entraram na Faculdade de Medicina. Mas também fiz suplementar a disciplina de História, com o intuito de poder decidir até ao final, entre a Faculdade de Medicina e a Faculdade de Arquitectura / Pintura. A opção foi pelo Curso de Medicina, mas a Pintura tem-me acompanhado toda a vida. Nasceram três filhos e estudei dois anos técnica da Aguarela.
Em 1990, fiz a 1ª Exposição a Aguarela sobre candeeiros do Séc. XIX. Se a prática da Medicina nos exige um estudo constante, a da Pintura a Óleo ou Aguarela, não tem sido menos exigente ou menos gratificante.
A pintura é uma paixão
M.com – Que razões a levaram para este Hobby?
Dr.ª I.R. - Como referi anteriormente, aprendi a pintar a Óleo muito cedo, e a Pintura era para mim uma opção de vida. Hoje continua a ser uma paixão e é um Hobby com toda a certeza. Seguramente ir-me-á acompanhar para além da Medicina, quando esta passar a Hobby .
Temática das marinas
M.com – Entre o Óleo e a Aguarela existe uma grande diferença em termos técnicos. Como é que consegue conciliar as duas?
Dr.ª I.R. – Nunca pinto ao mesmo tempo a Óleo e a Aguarela. Se desenvolvo um tema a Aguarela, como foi o caso do estudo sobre candeeiros do Séc. XIX, essa técnica absorveu-me dois anos e a paisagem rural Alentejana outros tantos. Actualmente encontro-me na fase do Óleo, numa temática de Marinas com particular atenção à figuralidade. Acabei de participar, em Junho deste ano, numa exposição colectiva, na inauguração da Galeria da Marina de Lagos, com 5 quadros, que são o início da actual série desta Temática .
É importante o confronto com a crítica
M.com - Já fez exposições, algumas das quais individuais. Porque é que ainda não se soltou para uma área comercial mais abrangente ou seja para grandes galerias?
Dr.ª I.R. – Uma coisa é produzir meia dúzia de quadros que se expõem em Congressos Médicos, ou em galerias conjuntamente com outros pintores, como é o caso da galeria do Automóvel Clube Médico. É importante sem dúvida o confronto com a crítica dos outros pintores, do público em geral e dos nossos amigos. A crítica familiar deixa-nos sempre o receio que seja pouco severa, por emocionalmente envolvida. E outra coisa é produzir em quantidade e qualidade necessária para se ser aceite por grandes galerias.
M.com – Para além do Óleo hoje está muito em voga o Acrílico. Porque é que ainda não tentou esta Técnica?
Dr.ª I.R. – Como tudo, também o Acrílico necessita de um estudo teórico e prático para o qual não me encontro disponível.
Artista livre e autodidacta
M.com – Atendendo às várias fases que apresenta, como definiria a sua pintura?
Dr.ª I.R. – A minha pintura é Clássica. Mantenho uma fidelidade precisa ao tema poético.
Sou uma artista livre, autodidacta, ligada às temáticas marinhas, urbanas e à figuralidade.
Importa-me sobretudo a Harmonia, a Realidade e a Cor das variantes compositivas.
Portugal rico em pintores
M.com – Que ideia faz da Pintura Portuguesa, nos seus mais diversos estilos?
Dr.ª I.R. – É fantástica! Botelho e os retratos de Lisboa, Silva Porto e as paisagens campesinas. José Malhoa e as vivências ruralistas, Columbano Bordalo Pinheiro e os retratos da intelectualidade portuguesa da época, Dagoberto Silva e o mercado do Bulhão e Vieira da Silva e a Abstractização. Creio que Portugal tem sido rico em pintores de excepção, e que me perdoem os que não enumerei.
Não às correntes
M.com – O Surrealismo e o Abstracto marcaram definitivamente o final do século passado e o início deste. Porque é que não enveredou por qualquer destas correntes?
Dr.ª I.R. – Não são de modo algum as correntes que me atraiem. A pintura que me marcou profundamente foi a do final do Séc. XIX, inicio do Séc. XX, com os pintores Impressionistas e do pós Impressionismo como Van Gogh, Matisse ou Alfredo Keil.
Carlos Botelho
M.com – Se tivesse que escolher um quadro de um pintor célebre quem escolheria e porquê?
Dr.ª I.R. – Carlos Botelho seria a minha opção, por ser um pintor dos nossos dias, com um percurso extraordinário, também autodidacta, que pintou o nosso país, as nossas gentes e Lisboa em particular.
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