Voltar à Página Inicial

Ano 6 - Nº 97/98 - Quinzenal - 31 de Outubro de 2005

  Hobbie

Drª

Arlinda Chaves Frota
Médica e mulher de diplomata descobre “vocação na pintura”

A Dr.ª Arlinda Chaves Frota, natural de Angola, licenciada pela Faculdade de Medicina de Lisboa, internista, com 57 anos iniciou um percurso internacional que a conduziu em mais de três décadas, não apenas a África (Libreville, Bissau, São Tomé), mas também à Europa (Bordéus, Orléans) e à Ásia (Macau, Seul), acompanhando o seu marido diplomata e os seus quatro filhos.
A paixão pela pintura em geral e pela pintura de porcelana foi-lhe revelada em Macau, onde esteve alguns anos, e em Seul, onde reside desde 2002, evoluiu para outro tipo de pintura, mais concretamente em papel de arroz.
Em Janeiro do próximo ano vamos conhecer esta artista e a sua obra, que vai ser exposta na galeria da Ordem dos Médicos, e que se traduz num desfile da técnica e sensibilidade desta médica artista que promete num futuro muito próximo mostrar-nos as suas pinturas em
Porcelana em que também é especialista


Medi.com – Embora seja frequente que os médicos tenham hobbies muito diferentes da sua actividade profissional, como é que chegou à pintura nas suas diversas modalidades?

Dr.ª Arlinda Chaves Frota – Posso dizer-lhe: eu sempre tive um enorme gosto pela composição, pelo jogo das formas e das cores e um intenso prazer estético pela “linguagem da natureza” expressa na pintura. Foi ao sabor do relacionamento com os meus doentes em Macau, em 2000, que conheci uma excelente professora de artes visuais que se dedicava à pintura em porcelana. Com algumas outras amigas reuníamo-nos regularmente e cedo a professora descobriu que ao meu gosto por aquela forma de Arte correspondia algum mérito no que eu fazia como principiante, tendo-me nessa altura incentivado a aprofundar técnicas que aprendi com alguma facilidade, e, depois daquele primeiro impulso, pus-me eu própria a descobrir novas vias e novos motivos.
Dei continuidade a esta mesma experiência na Coreia do Sul, de forma igualmente inovadora, tendo sido seduzida pela pintura clássica coreana em papel de arroz com tinta da china e guaches. Nesta medida tive aulas com uma professora coreana que está presentemente em França, na cidade de Lyon, onde promove a internacionalização da pintura do seu país, como já tinha feito no Japão.
Esta artista, Lussia Kim, é uma mulher extraordinária, de grande sensibilidade e elegância estética. A nossa relação evoluiu rapidamente para a amizade, daí que me tenha ensinado o que de melhor há na Coreia nas modalidades de pintura clássica, com as suas variedades técnicas, com tinta e guache, pigmentos naturais, pós de conchas marítimas, bases de colas de origem animal, etc. etc..
Com o domínio destas técnicas evoluí rapidamente para o abstracto, o que permite naturalmente grande liberdade de espírito criativo e exige muito rigor técnico. A aplicação da tinta nas diferentes modalidades deste tipo de papel não se compadece com erros.


Sensibilidade asiática

M.com – Os temas dos seus trabalhos são profundamente influenciados pela Arte Oriental, sobretudo a chinesa. Isto tem a ver com a sua passagem por Macau?

Dr.ª A.C.F. – Não, embora o meio geográfico e cultural a que se refere tenha tido uma primeira função estimulante e me tivesse motivado.
Acho que a Ásia conserva em geral uma sensibilidade intacta para as relações com a natureza através das diversas formas de arte.
A reprodução das paisagens, da fauna e da flora, quer como expressão de formas naturais, quer na sua expressão simbólica e mitológica (os Dragões tão presentes na cultura chinesa eu pinto na porcelana) – encantam-me pelo que existe de íntimo entre o homem e o seu meio natural, bem como a interpretação da própria psicologia e cultura desses povos.

Aproximação aos
motivos orientais

M.com - … que os portugueses conheceram bem desde o século XVI, com a sua projecção marítima para a China, Japão e mesmo Coreia…

Dr.ª A.C.F. – Exactamente! Aliás, o facto de ser portuguesa e de estar habituada a ver motivos orientais na Arte Portuguesa, nomeadamente na porcelana, levou-me a aproximar das diferentes expressões de pintura chinesa e coreana, também por viver hoje na Coreia do Sul.

Artistas coreanos
aplaudem

M.com – Fez recentemente a sua primeira exposição individual em Seul, mas já tinha participado numa colectiva. Como é que o público reagiu a estas duas manifestações culturais?

Dr.ª A.C.F. – Reagiu naturalmente muito bem, quer na colectiva de Dezembro de 2004, sob a égide das Nações Unidas, quer na individual que realizei em Março deste ano com o Centro Cultural do Grupo empresarial Samsung, apenas com pintura em porcelana. Apresentei 250 trabalhos, foram muito apreciados pelos inúmeros visitantes e ilustres convidados, público conhecedor e prestigiados artistas coreanos.

A Arte ao serviço
dos mais necessitados

M.com – Que exposições tem agendadas para os próximos tempos?

Dr.ª A.C.F. – Fiz agora, em Agosto, uma exposição individual com peças de pintura em porcelana e em papel de arroz, em Mira, e uma outra numa galeria de Seul, num local sobejamente conhecido pelo seu elevado prestígio neste tipo de Arte, convite de que me sinto muito orgulhosa. Esta exposição visou favorecer crianças órfãs, cegas e portadoras de deficiências profundas.

Partilhar experiências

M.com – O que é que espera da exposição que vai realizar, no início do próximo ano, na galeria da Ordem dos Médicos em Lisboa?

Dr.ª A.C.F. – Desde logo partilhar com os colegas, amigos que tenho em Lisboa e com o público em geral, o meu gosto pela pintura, trocando experiências com outros interessados que venha eventualmente a conhecer. Depois, analisar as reacções do público português, que está cada vez mais receptivo aos elementos decorativos inspirados noutras culturas, outras visões do mundo e da própria Arte.

Pintura clássica
coreana

M.com – Que tipo de pintura é que vai apresentar na galeria da OM?

Dr.ª A.C.F. – Vou expor pintura inspirada, como disse, na pintura clássica coreana, em papel de arroz de diferentes texturas, espessuras e cores.
Desta vez não vou apresentar pintura em porcelana, visto que exigiria outro tipo de organização. Isto não significa que eu não o venha a fazer mais tarde.
A pintura em papel de arroz é extremamente decorativa, contrastando bem com superfícies lisos e ambientes sóbrios, uma vez que constitui um elemento de cor que põe em relevo todo o ambiente de móveis e outros objectos de decoração.
Os temas ou são totalmente abstractos, paisagens ou ainda elementos florais muito estilizados de que ressalta o tratamento estético do bambu que é uma planta predominante na paisagem e jardins coreanos, símbolo de flexibilidade, persistência, resistência e durabilidade, à semelhança da alma coreana.

M.com – Quais são os seus projectos mais imediatos no eu toca a este hobbie?

Dr.ª A.C.F. – Continuar a aperfeiçoar uma técnica e sensibilidade que me apaixonam e ao mesmo tempo fazer a ponte com o que de melhor se faz em Portugal, onde tive o ensejo de conhecer artistas nacionais de excelência que aqui vivem ou no estrangeiro.

  Hobbie...  

António Trabulo publicou o primeiro livro aos 10 anos
Secção Regional Sul
PASSEIOS PEDESTRES

PASSEIOS PEDESTRES
Dra Graça Caldeira Aparício
«A pintura é o culto do Belo»
Isabel Reina
“Mantenho uma fidelidade precisa ao tema poético”

“Asas de cartão com penas de pato”

«Um hobby protector cardiovascular»
Alberto Agualusa
«Não sou adepto de trajectórias pensadas e orientadas»
Dr. Carlos Morais
«Quando conduzo no deserto esqueço-me de tudo»
Drª Ofélia Bomba
«Considero-me uma poetisa das emoções»