Psicólogo aborda síndrome de exaustão nos médicos
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Carga de trabalho entre as causas mais importantes
David Barreira, um dos psicólogos da equipa de formadores da Acção de Sensibilização Síndrome de Exaustão, esclareceu o Medi.com sobre os efeitos de burnout e a extensão desta síndrome entre os médicos, que são aconselhados a estar atentos a determinados sinais e às principais causas: exigência dos utentes, carga de trabalho e hostilidade presente nos ambientes de trabalho.
Medi.com – Que dados permitem chegar ao número de 40% dos médicos com burnout?
David Barreira – Esses números são baseados na Psychological Reports de 2007, mas outros estudos referem que, no caso dos médicos, o burnout está em crescendo (HSE-Health and Safety Executive: Occupational Stress Statistics Information, 2003).
Os médicos mais afectados são os
clínicos gerais e os médicos hospitalares. Os colocados em serviços de emergência, 25% estão na fase final de burnout e 23%, nesses estudos, pensavam em deixar a actividade nos 5 anos seguintes. Os maiores geradores de stress nos clínicos gerais foram as exigências dos utentes, a carga de trabalho e a hostilidade presente nos ambientes de trabalho.
Hespanhol, em Portugal, relacionou o elevado número de doentes a cargo dos mesmos, e o fazer mais de 125 consultas por semana, com a insatisfação e o stress.
No masculino, as especialidades com maiores taxas de depressão são a ginecologia, a psiquiatria, a radiologia, a anestesiologia e a medicina interna; no feminino, a cirurgia, a psiquiatria, a ginecologia, a pediatria e a anatomia patológica.
São ainda factores agravantes as exigências do trabalho, tais como a multiplicidade de intervenções, decisões sobre pressão de tempo, longas horas de trabalho e o trabalhar individualmente.
Medi.com – De que forma esta síndrome pode afectar o dia-a-dia de um profissional que dela padeça?
DB – Há um crescendo de médicos em sofrimento, doentes por motivos relacionados com a profissão.
Comparados com os gestores, os médicos têm um nível superior de hormonas de stress. Equiparados com dentistas e advogados têm aumento de incidência de enfarte do miocárdio e angina.
O distress (stress negativo) médico alastra-se para a vida familiar. Os médicos têm frequente conflitualidade familiar e divorciam-se 20 vezes mais do que a população em geral.
Os clínicos gerais no activo têm uma maior prevalência de ansiedade, depressão e insónia, comparados com os reformados. E a doença psiquiátrica em médicos tem uma prevalência superior à população geral.
Medi.com – Como se processa a exaustão, ao longo do tempo?
DB – Tem três fases: esgotamento emocional, despersonalização e sentimento de auto-ineficácia. Os requisitos organizacionais e individuais também estão envolvidos no sistema interactivo do burnout.
Medi.com – Como prevenir?
DB – Para prevenção e abordagem da síndrome de burnout, além do conhecimento dos factores desencadeadores e dos sintomas, é extremamente relevante a adopção de medidas com o objectivo de minimizar os factores implicados no aparecimento de stress e restabelecer condições que propiciem a adaptação.
Estas medidas terão eficácia máxima se houver desenvolvimento individual e desenvolvimento institucional associados.
Deve atender-se também aos factores de stress mais importantes na medicina e que devem ser relevantes: a modelagem/ formação; a representação social; as condições de trabalho; a tarefa e a carga física e mental; a organização de trabalho; o próprio médico entre outras.
Medi.com – Estas acções de sensibilização por si só podem fazer a diferença.
DB – Pretendemos com estas acções introduzir o conceito de burnout junto desta população e consciencializar para os riscos desta síndrome.
Medi.com – O que é que pode ser feito junto dos profissionais que já sentem os sintomas?
DB– O conceito e os sintomas associados são complexos. Além disso não são só individuais mas também institucionais. Existe muita coisa a fazer que passa pelo próprio, como por exemplo a identificação das causas, estratégias de redução de stress e modificação de comportamentos, mas também se deve actuar ao nível das instituições onde este profissionais estão inseridos.
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