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Ano 2009 - Nº 157 - Quinzenal - 31 de Maio de 2009

  Informação

Psicólogo aborda síndrome de exaustão nos médicos

Carga de trabalho entre as causas mais importantes

David Barreira, um dos psicólogos da equipa de formadores da Acção de Sensibilização Síndrome de Exaustão, esclareceu o Medi.com sobre os efeitos de burnout e a extensão desta síndrome entre os médicos, que são aconselhados a estar atentos a determinados sinais e às principais causas: exigência dos utentes, carga de trabalho e hostilidade presente nos ambientes de trabalho.



Medi.com – Que dados permitem chegar ao número de 40% dos médicos com burnout?

David Barreira – Esses números são baseados na Psychological Reports de 2007, mas outros estudos referem que, no caso dos médicos, o burnout está em crescendo (HSE-Health and Safety Executive: Occupational Stress Statistics Information, 2003).
Os médicos mais afectados são os
clínicos gerais e os médicos hospitalares. Os colocados em serviços de emergência, 25% estão na fase final de burnout e 23%, nesses estudos, pensavam em deixar a actividade nos 5 anos seguintes. Os maiores geradores de stress nos clínicos gerais foram as exigências dos utentes, a carga de trabalho e a hostilidade presente nos ambientes de trabalho.
Hespanhol, em Portugal, relacionou o elevado número de doentes a cargo dos mesmos, e o fazer mais de 125 consultas por semana, com a insatisfação e o stress.
No masculino, as especialidades com maiores taxas de depressão são a ginecologia, a psiquiatria, a radiologia, a anestesiologia e a medicina interna; no feminino, a cirurgia, a psiquiatria, a ginecologia, a pediatria e a anatomia patológica.
São ainda factores agravantes as exigências do trabalho, tais como a multiplicidade de intervenções, decisões sobre pressão de tempo, longas horas de trabalho e o trabalhar individualmente.

Medi.com – De que forma esta síndrome pode afectar o dia-a-dia de um profissional que dela padeça?

DB – Há um crescendo de médicos em sofrimento, doentes por motivos relacionados com a profissão.
Comparados com os gestores, os médicos têm um nível superior de hormonas de stress. Equiparados com dentistas e advogados têm aumento de incidência de enfarte do miocárdio e angina.
O distress (stress negativo) médico alastra-se para a vida familiar. Os médicos têm frequente conflitualidade familiar e divorciam-se 20 vezes mais do que a população em geral.
Os clínicos gerais no activo têm uma maior prevalência de ansiedade, depressão e insónia, comparados com os reformados. E a doença psiquiátrica em médicos tem uma prevalência superior à população geral.

Medi.com – Como se processa a exaustão, ao longo do tempo?

DB – Tem três fases: esgotamento emocional, despersonalização e sentimento de auto-ineficácia. Os requisitos organizacionais e individuais também estão envolvidos no sistema interactivo do burnout.

Medi.com – Como prevenir?

DB – Para prevenção e abordagem da síndrome de burnout, além do conhecimento dos factores desencadeadores e dos sintomas, é extremamente relevante a adopção de medidas com o objectivo de minimizar os factores implicados no aparecimento de stress e restabelecer condições que propiciem a adaptação.
Estas medidas terão eficácia máxima se houver desenvolvimento individual e desenvolvimento institucional associados.
Deve atender-se também aos factores de stress mais importantes na medicina e que devem ser relevantes: a modelagem/ formação; a representação social; as condições de trabalho; a tarefa e a carga física e mental; a organização de trabalho; o próprio médico entre outras.

Medi.com – Estas acções de sensibilização por si só podem fazer a diferença.

DB – Pretendemos com estas acções introduzir o conceito de burnout junto desta população e consciencializar para os riscos desta síndrome.

Medi.com – O que é que pode ser feito junto dos profissionais que já sentem os sintomas?

DB– O conceito e os sintomas associados são complexos. Além disso não são só individuais mas também institucionais. Existe muita coisa a fazer que passa pelo próprio, como por exemplo a identificação das causas, estratégias de redução de stress e modificação de comportamentos, mas também se deve actuar ao nível das instituições onde este profissionais estão inseridos.

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